terça-feira, 10 de maio de 2011

Professora a deriva



Quando olhei a imensidão do mar que estava a enfrentar, entendi os homens do passado, compreendi a imensidão de sentimentos que os atordoavam ao se deparar com a infinitude de beleza e descobertas sobre o mundo que se vê e aquele que não se vê. Pude entender as interpretações e contemplações rasas que nos humanos insistimos em apreciar e fazer sobre o mundo que nos cerca.
Olhos desconhecidos nos corredores e uma certeza voraz que emergia dentro de mim, a verdadeira alegria em poder estar ali, para desbravar o que se tem de mais precioso e enriquecedor no ser humano, que é o ato de aprender. Por um momento senti que estava perdida em alto mar, mas não pela falta de conhecimento histórico ou domínio de conteúdo e metodologia, este havia aprendido com mestres que dominam a arte de ensinar. Agora o que me faltava era o conhecimento humano.
 Fiquei surpresa ao me de parar com jovens que vem sendo usado como marionete, para não refletir sobre o meio em que vive, mais do que eles não conseguirem apreender o coletivo, o espantoso e que eles também não conseguem refletir sobre si mesmo, vivendo em um mundo capitalista, em que o individualismo se torna o slogan do momento, eles nem mesmo conseguem agir para se preparar para selva de pedra que irão encontrar.
Ao utilizar as ferramentas tecnológicas no dia a dia, isto deixa bastante evidente o arsenal de sutilezas que são usados, por aqueles que dominam a “arte” de escravizar.
A tecnologia a serviço do homem, frase gritada nos quatro cantos mundo, pela tão falada globalização, mas ao olhar a nossa volta, entendemos que o homem é quem esta a prisioneiro desta tecnologia.
Aos nossos alunos foi ensinado a pesquisar, em apenas um minuto se faz a pesquisa, e já esta pronta. Que agilidade copiar e colar.
Ao encontrar os alunos no corredor, já se pode observar em seus olhos a falta de desejo, para descobrir a cada aula uma caixa de mistérios, pois, estes estão refém do pensamento elitista, que eventual é uma tapa buraco, esta sempre em sala diferente, com seu colete salva vida, para que possa sobreviver a mais um naufrágio.
O sistema que foi construído pelos capitalistas, não deu somente ritmo à produção, mas deu ritmo a vida humana, as fronteiras do conhecimento foram abertas, mas que pena que grande maioria passou pela higienização cerebral...
Desabafos de uma professora que busca emergir dos destroços da sala de aula.


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